ATENÇÃO!!!

Reforçamos que nossos únicos números oficiais para atendimento são:📞 (11) 3615-2086 📞 (11) 99104-3743

Qualquer contato realizado por números diferentes destes deve ser considerado suspeito e pode se tratar de golpe.
``` ⚠️ ALERTA DE GOLPE: Os únicos telefones oficiais da DJM Advogados são (11) 3615-2086 e (11) 99104-3743. Desconsidere contatos realizados por outros números. ```

7 de Setembro: a história por trás da Independência do Brasil

Entre em contato conosco agora mesmo e peça ajuda, pois aqui na DJM Advogados somos especialistas em trânsito e sabemos o que fazer quando o assunto é sua CNH.

★ ★ ★ ★ ★ 5 Estrelas no Google - Nota Máxima

Grito da independencia

Atendimento em todo o Brasil

Dr. Eduardo Dias Djamdjian de terno azul e fundo cinza

Carlos Eduardo Dias Djamdjian - OAB/SP 298.481

Advogado especialista em Direito de Trânsito e Transportes com mais de 10 anos de experiência na área, Pós Graduado em Direito de Trânsito, Presidente da Comissão de Trânsito e Transportes OAB/SP - Santana (2019-2022) e CEO do escritório DJM Advogados.

7 de Setembro: a história por trás da Independência do Brasil

Sumário

Grito da independência

Muito além do grito do Ipiranga

Poucas imagens ocupam lugar tão importante no imaginário brasileiro quanto a cena de Dom Pedro às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, levantando a espada e proclamando: “Independência ou Morte!”

A cena é conhecida por praticamente todo brasileiro. Está nos livros escolares, nas pinturas, nos monumentos, nos discursos e nas comemorações de 7 de Setembro.

Mas a História é muito maior do que uma pintura.

A Independência do Brasil não aconteceu simplesmente porque Dom Pedro acordou em uma manhã de setembro de 1822, recebeu algumas cartas, montou em seu cavalo e decidiu separar o Brasil de Portugal.

O 7 de Setembro foi o resultado de um processo político, econômico, social e internacional que vinha se desenvolvendo havia anos.

Para compreender verdadeiramente aquela tarde de 1822, é preciso voltar no tempo.

É preciso imaginar um Brasil completamente diferente do país que conhecemos hoje: sem estradas modernas, sem ferrovias, sem automóveis, sem eletricidade, sem rádio, sem televisão, sem internet e com enormes distâncias separando as diferentes regiões.

É preciso imaginar uma sociedade profundamente marcada pela escravidão, pela agricultura de exportação, pelo comércio marítimo e pela autoridade da monarquia portuguesa.

E é preciso compreender uma transformação decisiva: durante alguns anos, o centro político do Império Português esteve justamente no Rio de Janeiro.

Essa mudança alteraria profundamente a relação entre Brasil e Portugal.

1. O Brasil antes da Independência

No início do século XIX, o Brasil ainda fazia parte do Império Português.

Não existia, juridicamente, o Brasil como Estado independente.

Existiam as diferentes capitanias e províncias, cada uma com suas próprias características econômicas, sociais e políticas, conectadas por uma estrutura imperial cujo centro, durante séculos, estivera em Lisboa.

A situação começou a mudar dramaticamente a partir de 1807.

Napoleão Bonaparte havia expandido seu poder pela Europa e pressionava Portugal a aderir ao bloqueio econômico contra a Inglaterra.

Portugal encontrava-se diante de uma escolha extremamente difícil.

De um lado, estava Napoleão.

Do outro, seu antigo e poderoso aliado britânico.

A solução encontrada pela monarquia portuguesa foi extraordinária: a transferência da Corte para o Brasil.

Em 1808, Dom João, então príncipe regente, chegou ao Rio de Janeiro acompanhado por milhares de pessoas ligadas à administração, à nobreza e à estrutura da Corte.

A mudança transformou o Brasil.

O Rio de Janeiro deixou de ser apenas uma importante cidade colonial e passou a funcionar como centro político de um império.

E essa transformação teria consequências econômicas enormes.

2. A abertura dos portos mudou o jogo

Pouco depois da chegada da Corte, uma medida decisiva foi tomada: a Abertura dos Portos às Nações Amigas, em 1808.

Na prática, o Brasil deixou de estar submetido ao antigo sistema comercial colonial da mesma maneira que antes.

Mercadorias estrangeiras passaram a entrar diretamente nos portos brasileiros.

Isso aumentou enormemente a importância econômica de cidades como Rio de Janeiro, Salvador e Recife.

A economia brasileira passou a estar cada vez mais conectada ao comércio internacional.

E a Inglaterra ganhou uma posição especialmente privilegiada nessa nova realidade.

Esse detalhe é fundamental para compreender a Independência.

A separação entre Brasil e Portugal não pode ser explicada apenas por sentimentos patrióticos.

Existiam interesses econômicos concretos.

Portugal havia perdido parte de sua posição privilegiada no comércio com o Brasil e, após a Revolução Liberal do Porto de 1820, setores portugueses passaram a defender mudanças que, entre outras coisas, buscavam recuperar a centralidade econômica de Lisboa.

O problema era que muitos grupos estabelecidos no Brasil haviam se acostumado com a nova realidade.

Comerciantes, proprietários rurais, autoridades locais e outros grupos de poder passaram a enxergar com preocupação qualquer tentativa de reduzir a autonomia adquirida pelo Brasil.

O conflito, portanto, não era apenas entre “brasileiros” e “portugueses”.

Era também uma disputa sobre quem controlaria o poder político, o comércio e as decisões administrativas do território brasileiro.

O Arquivo Nacional destaca justamente que as questões econômicas envolvendo as relações comerciais entre Brasil e Portugal se tornaram um dos principais pontos de divergência nas Cortes portuguesas.

3. O Brasil deixou de ser apenas uma colônia

Outro acontecimento fundamental ocorreu em 1815.

O Brasil foi elevado à condição de Reino do Brasil, passando a integrar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Isso representava uma mudança gigantesca.

O território americano deixava oficialmente de possuir apenas a condição colonial tradicional e passava a integrar um Reino Unido.

Na prática, o Brasil havia adquirido uma importância política que seria difícil simplesmente retirar depois.

E é justamente aí que começa uma das grandes contradições do processo de Independência.

Quando Dom João retornou para Portugal em 1821, deixou seu filho, Dom Pedro, como príncipe regente no Brasil.

Portugal queria recuperar sua centralidade.

Parte das elites estabelecidas no Brasil queria preservar a autonomia conquistada.

O choque era inevitável.

O Arquivo Nacional observa que as medidas das Cortes portuguesas indicavam uma tentativa de reduzir a autonomia brasileira em áreas comerciais, industriais e políticas.

4. A Revolução Liberal do Porto

Para entender o que aconteceu em 1822, precisamos viajar novamente para a Europa.

Em 1820, ocorreu a Revolução Liberal do Porto.

Portugal enfrentava dificuldades econômicas e políticas.

A ausência prolongada da Corte, a influência britânica e as transformações econômicas provocadas pela abertura dos portos brasileiros haviam criado forte insatisfação entre setores portugueses.

A Revolução do Porto defendia, entre outras coisas, uma Constituição e o retorno do rei.

As Cortes portuguesas passaram então a discutir o futuro do Reino.

E havia uma questão central:

qual seria o lugar do Brasil nessa nova organização política?

Para muitos grupos em Portugal, o Brasil havia adquirido autonomia demais.

O projeto português buscava reconstruir uma estrutura política mais centralizada em Lisboa.

Isso significava diminuir a autonomia conquistada pelo Brasil.

O Arquivo Nacional registra que as Cortes passaram a defender medidas como a criação de juntas governativas subordinadas diretamente a Lisboa e mudanças administrativas que atingiam a autoridade do príncipe regente.

Foi nesse ambiente que a crise começou a acelerar.

5. O Dia do Fico

Chegamos então a 9 de janeiro de 1822.

Dom Pedro havia recebido ordens para retornar a Portugal.

Mas grupos políticos no Brasil organizaram uma mobilização para convencê-lo a permanecer.

Um abaixo-assinado com milhares de assinaturas foi apresentado ao príncipe.

Dom Pedro decidiu ficar.

Nascia aquilo que posteriormente seria conhecido como Dia do Fico.

A frase tradicionalmente atribuída a ele é:

“Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto: diga ao povo que fico.”

Mas existe uma curiosidade importante.

Naquele momento, a separação completa ainda não estava necessariamente decidida.

O próprio Arquivo Nacional ressalta que o episódio inicialmente podia ser interpretado como uma tentativa de preservar a autonomia brasileira dentro de uma estrutura ainda vinculada a Portugal, e não necessariamente como uma declaração imediata de independência.

Ou seja:

O caminho para a Independência foi sendo construído aos poucos.

O “Fico” foi um passo.

Não foi o ponto final.

6. José Bonifácio entra em cena

Pouco depois, Dom Pedro aproximou-se de uma das figuras mais importantes do processo de Independência:

José Bonifácio de Andrada e Silva.

Intelectual, político e homem de grande experiência, José Bonifácio tornou-se uma das principais lideranças do projeto político que se articulava ao redor de Dom Pedro.

Seu objetivo não era simplesmente separar o Brasil de Portugal.

Havia uma preocupação muito maior: construir um Estado brasileiro capaz de permanecer unido.

Isso era extremamente difícil.

O território era gigantesco.

As comunicações eram precárias.

As províncias tinham interesses econômicos diferentes.

Algumas estavam mais ligadas a Lisboa do que ao Rio de Janeiro.

O Maranhão, por exemplo, possuía relações comerciais muito fortes com Portugal, especialmente no comércio de arroz e algodão.

Portanto, quando falamos em “Brasil” em 1822, precisamos tomar cuidado.

O Brasil não era politicamente homogêneo.

Era um território enorme formado por sociedades diferentes.

7. E então chegamos ao famoso 7 de Setembro

Agora podemos voltar àquele dia.

Era 7 de setembro de 1822.

Dom Pedro havia viajado para São Paulo.

A viagem fazia parte de uma tentativa de consolidar apoio político na província e resolver questões relacionadas ao governo paulista.

Depois de passar por Santos, o príncipe iniciou seu retorno em direção à cidade de São Paulo.

E aqui surge uma das primeiras grandes curiosidades reveladas pelas pesquisas históricas recentes.

Dom Pedro provavelmente não estava montado naquele cavalo magnífico da pintura de Pedro Américo.

Pesquisas do Museu Paulista indicam que o percurso envolvia diferentes meios de transporte e que, na subida da Serra do Mar, Dom Pedro e seus acompanhantes provavelmente utilizaram mulas, e não os cavalos imponentes representados na famosa pintura.

Além disso, no trecho entre Santos e Cubatão, foi utilizado um barco, porque naquele período não existia uma ligação terrestre simples entre a ilha de Santos e o continente.

A famosa imagem dos cavaleiros majestosos, portanto, pertence muito mais à construção simbólica da Independência do que à realidade cotidiana daquela viagem.

8. Imagine o caminho

Para compreender o episódio, vale abandonar por alguns minutos a imagem dos livros escolares.

Imagine São Paulo em 1822.

Era uma cidade pequena.

Pesquisadores estimam que possuísse aproximadamente 10 mil habitantes.

Ao redor dela havia áreas rurais, caminhos de terra, vegetação, chácaras e regiões ainda pouco urbanizadas.

O Ipiranga daquele período era muito diferente do bairro densamente construído que conhecemos hoje.

Não havia grandes avenidas.

Não havia prédios.

Não havia o Monumento à Independência.

Não havia o Museu do Ipiranga.

Não havia o enorme parque urbano que hoje recebe milhões de visitantes.

Era uma paisagem muito mais rural.

Pesquisas sobre o local histórico indicam que a área do Ipiranga possuía características bastante diferentes das atuais, com caminhos, propriedades rurais e o riacho que posteriormente se tornaria um dos símbolos mais conhecidos da nacionalidade brasileira.

Imagine então uma pequena comitiva atravessando aquela paisagem.

O príncipe.

Militares.

Religiosos.

Funcionários.

Criados.

Animais de transporte.

E uma estrada difícil.

Não havia qualquer sensação de que estavam prestes a entrar em uma cena que, duzentos anos depois, seria reproduzida milhões de vezes em livros de História.

9. As cartas que mudaram o dia

Durante o trajeto, Dom Pedro recebeu correspondências vindas do Rio de Janeiro.

As notícias eram graves.

As Cortes portuguesas continuavam adotando medidas que ameaçavam a autoridade do príncipe e a autonomia do governo instalado no Brasil.

A tensão havia chegado a um ponto crítico.

É nesse momento que o episódio tradicionalmente contado pela História brasileira ganha forma.

Dom Pedro teria reagido às notícias decidindo romper definitivamente com Portugal.

E então veio o famoso grito:

“Independência ou Morte!”

A partir daquele momento, o Brasil caminharia definitivamente para a separação.

Mas existe uma grande diferença entre o que aconteceu naquele instante e o que a memória nacional posteriormente construiu.

A Independência não terminou naquele dia.

Na verdade, ela ainda estava longe de estar militar e politicamente consolidada.

10. O Brasil não ficou independente em um único dia

Esta talvez seja uma das informações mais importantes para compreender o 7 de Setembro.

A Independência brasileira foi um processo.

O 7 de setembro foi seu principal marco simbólico.

Mas conflitos militares continuaram.

Províncias importantes não aderiram imediatamente ao governo de Dom Pedro.

Bahia, Maranhão e Grão-Pará, por exemplo, permaneceram vinculados à autoridade portuguesa por mais algum tempo.

Na Bahia, ocorreram combates entre forças favoráveis a Portugal e grupos ligados à Independência.

O Arquivo Nacional demonstra que a situação baiana era extremamente complexa, envolvendo tropas, autoridades locais, interesses políticos e resistência à presença militar portuguesa.

Em outras palavras:

não bastava proclamar a Independência. Era necessário fazê-la existir.

11. Uma guerra também estava em jogo

A visão tradicional muitas vezes apresenta a Independência como um acontecimento pacífico.

Não foi.

Houve conflitos armados em diferentes regiões.

Houve recrutamento de tropas.

Houve mobilização militar.

Houve participação de forças estrangeiras.

Houve mortes.

Houve disputas pelo controle das províncias.

Pesquisas acadêmicas recentes também questionam a ideia simplificada de que a Independência teria sido simplesmente um “acordo entre elites”.

Os interesses das províncias eram diferentes e os conflitos internos eram profundos.

A formação do Estado brasileiro exigiu negociação, coerção, guerra e construção política.

A Independência foi, portanto, muito mais complexa do que um único grito às margens de um riacho.

12. E a economia?

A economia foi uma das grandes forças por trás da transformação.

O Brasil possuía uma economia fortemente baseada na produção agrícola destinada ao mercado externo.

Açúcar, algodão, café e outros produtos movimentavam enormes interesses comerciais.

Ao mesmo tempo, a escravidão constituía uma das bases fundamentais da economia brasileira.

Isso cria uma das maiores contradições históricas da Independência.

O Brasil lutava por autonomia política enquanto mantinha uma sociedade escravista.

A ideia de liberdade política não significava, naquele momento, liberdade para todos.

A Independência não aboliu a escravidão.

Pelo contrário: a manutenção do sistema escravista foi importante para a sustentação econômica e política de diferentes grupos que participaram da construção do novo Estado.

Estudos acadêmicos destacam justamente essa contradição: a independência política conviveu com a preservação da escravidão, que continuou estruturando parte significativa da sociedade brasileira.

Essa é uma parte da História que não deve ser escondida.

Conhecer a Independência também significa compreender suas limitações.

13. Dom Pedro virou imperador depois do 7 de Setembro

Outra curiosidade frequentemente esquecida:

No dia 7 de setembro de 1822, Dom Pedro ainda não era imperador do Brasil.

Ele era príncipe regente.

Sua aclamação como imperador ocorreu em 12 de outubro de 1822.

Sua coroação e sagração aconteceram posteriormente, em 1º de dezembro de 1822.

Isso mostra como a transformação política foi gradual.

Primeiro veio a ruptura.

Depois, a construção institucional do novo Estado.

14. E quando o Brasil realmente foi reconhecido como independente?

Também não aconteceu em 7 de setembro.

A independência precisou ser reconhecida diplomaticamente.

Portugal somente reconheceu formalmente a independência brasileira em 1825, mediante um tratado.

O Brasil, portanto, passou por um período de consolidação interna e externa.

Isso demonstra novamente que uma declaração política não cria automaticamente um país.

É necessário construir instituições.

Organizar forças militares.

Estabelecer relações diplomáticas.

Controlar o território.

Definir uma Constituição.

Criar um sistema de governo.

E obter reconhecimento internacional.

15. A Constituição de 1824

Depois da Independência, o Brasil precisava responder a uma pergunta fundamental:

como esse novo país seria governado?

Uma Assembleia Constituinte foi convocada.

As disputas políticas, entretanto, foram intensas.

A Assembleia foi dissolvida por Dom Pedro em 1823.

No ano seguinte, foi outorgada a Constituição de 1824.

Nascia, assim, a estrutura constitucional do Império brasileiro.

A Independência, portanto, não terminou no Ipiranga.

Ela abriu uma segunda grande etapa:

a construção do Estado brasileiro.

16. A curiosa história da imagem do “grito”

Aqui está outra descoberta interessante para quem conhece apenas a versão tradicional.

A imagem que temos do 7 de Setembro foi construída ao longo do tempo.

A famosa pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, foi produzida décadas depois do acontecimento, sendo concluída em 1888.

Ou seja:

Pedro Américo não estava lá.

A pintura não é uma fotografia histórica.

Ela é uma interpretação artística.

E existem diferenças importantes entre a pintura e o que os historiadores conseguiram reconstruir sobre o episódio.

Os cavalos majestosos, as roupas impecáveis, a organização da comitiva e a composição dramática da cena foram utilizados para transmitir uma mensagem:

a ideia de nascimento glorioso de uma nação.

Isso não significa que a pintura seja “falsa”.

Significa que ela deve ser entendida como uma obra de construção da memória nacional.

A arte ajudou o Brasil a criar uma imagem visual para seu próprio nascimento.

17. O 7 de Setembro nem sempre foi tão importante quanto imaginamos

Essa talvez seja uma das maiores curiosidades históricas.

Logo depois do acontecimento, o 7 de Setembro não possuía ainda o mesmo significado nacional que possui atualmente.

Pesquisas do Museu Paulista mostram que a data foi sendo transformada em símbolo nacional ao longo do século XIX.

Em 1823, já havia propostas para transformar o 7 de setembro em uma data comemorativa.

Mas isso não aconteceu imediatamente.

Entre 1822 e 1825, a data sequer ocupava lugar central no calendário oficial de celebrações do Império.

Somente em 1826 o Parlamento aprovou a inclusão do 7 de Setembro como festividade nacional.

Isso revela algo muito interessante:

as nações também constroem suas memórias.

Um acontecimento histórico acontece.

Depois, gerações posteriores escolhem como lembrá-lo.

18. O Ipiranga também foi transformado em símbolo

O próprio lugar passou por uma transformação.

A paisagem rural do Ipiranga foi gradualmente transformada em um espaço monumental.

O Museu Paulista foi inaugurado em 1895.

O Monumento à Independência seria posteriormente associado às comemorações do centenário, em 1922.

O objetivo era transformar aquele espaço em um grande cenário da memória nacional.

Pesquisas acadêmicas demonstram que as elites paulistas tiveram papel importante na construção dessa monumentalização, especialmente durante as comemorações do centenário da Independência.

O que antes era uma área de passagem tornou-se um dos lugares mais simbólicos do Brasil.

19. A Independência não foi apenas paulista

É importante lembrar disso.

Embora o 7 de Setembro esteja associado a São Paulo, a Independência foi um processo nacional.

Houve participação política, militar e social em diversas regiões.

A Bahia viveu uma guerra importante.

Pernambuco possuía uma tradição de movimentos políticos e constitucionalistas.

O Maranhão possuía relações econômicas próprias com Portugal.

O Grão-Pará também apresentou resistência à integração imediata ao projeto político liderado pelo Rio de Janeiro.

Cada região possuía interesses próprios.

Por isso, falar em Independência exige olhar para além do Ipiranga.

O Brasil não nasceu pronto.

Ele precisou ser politicamente construído.

20. A grande contradição: liberdade para quem?

Existe ainda uma questão que não pode ser ignorada.

Quando falamos que o Brasil conquistou sua independência, devemos perguntar:

independência para quem?

A população escravizada não recebeu liberdade em 1822.

Mulheres não receberam igualdade política.

Grande parte da população não participava diretamente das decisões políticas.

A cidadania era extremamente limitada.

Portanto, a Independência brasileira foi principalmente uma emancipação política do território em relação a Portugal, e não uma revolução social que tivesse libertado imediatamente toda a população.

Essa distinção é fundamental.

O Brasil tornou-se independente de Portugal.

Mas continuou carregando estruturas sociais profundamente desiguais.

A abolição da escravidão só ocorreria em 1888, décadas depois.

21. Então, afinal, por que o 7 de Setembro aconteceu?

Se pudéssemos resumir todo o processo em algumas grandes razões, poderíamos destacar:

1. A transferência da Corte para o Brasil

A chegada da monarquia portuguesa ao Rio de Janeiro transformou a posição política e econômica do território.

2. A abertura dos portos

O Brasil passou a participar de maneira diferente do comércio internacional.

3. A elevação do Brasil a Reino

Em 1815, o território brasileiro deixou formalmente de ser uma colônia tradicional.

4. A Revolução do Porto

Em 1820, Portugal passou por uma revolução liberal que buscava reorganizar o Reino e recuperar a centralidade de Lisboa.

5. O retorno de Dom João VI

Em 1821, o rei retornou para Portugal, deixando Dom Pedro como regente no Brasil.

6. As decisões das Cortes de Lisboa

Medidas que reduziam a autonomia brasileira aumentaram a tensão.

7. O Dia do Fico

Dom Pedro decidiu permanecer no Brasil.

8. A articulação política de José Bonifácio

O grupo ligado ao príncipe passou a organizar uma estrutura política cada vez mais autônoma.

9. Os interesses econômicos

Grupos estabelecidos no Brasil tinham interesses comerciais e econômicos que poderiam ser prejudicados pela retomada da centralização portuguesa.

10. O medo da fragmentação

Outro elemento fundamental era o receio de que o Brasil se fragmentasse em diferentes territórios, como havia ocorrido em outras partes da América espanhola.

A manutenção da unidade territorial tornou-se uma preocupação central.

22. O que realmente aconteceu às margens do Ipiranga?

Talvez a melhor maneira de responder seja separar História e memória.

A memória nacional diz:

Dom Pedro recebeu as cartas, levantou a espada e gritou “Independência ou Morte!”, imediatamente rompendo os vínculos com Portugal.

A historiografia mostra:

Dom Pedro realmente esteve na região do Ipiranga em 7 de setembro de 1822 e tomou uma decisão política de ruptura.

Mas o processo de Independência já vinha sendo construído havia meses e continuaria por anos.

A cena foi posteriormente transformada em um símbolo monumental do nascimento do Brasil.

Pesquisas recentes inclusive reconstituíram o caminho percorrido por Dom Pedro e sua comitiva utilizando relatos históricos, mapas antigos e cartografia digital, mostrando que detalhes do percurso tradicionalmente ensinado precisavam ser corrigidos.

23. O significado do 7 de Setembro hoje

Duzentos anos depois, talvez a maior importância do 7 de Setembro esteja justamente na possibilidade de compreender o Brasil como um projeto em construção.

A Independência não criou um país perfeito.

Não eliminou desigualdades.

Não encerrou conflitos.

Não resolveu todos os problemas.

Mas criou uma ruptura política fundamental.

A partir daquele processo, o Brasil passou a construir seu próprio Estado.

Sua própria Constituição.

Suas próprias instituições.

Sua própria diplomacia.

Sua própria trajetória política.

O país que nasceu naquele processo enfrentaria guerras, crises econômicas, disputas políticas, mudanças de regime, abolição da escravidão, Proclamação da República, revoluções, períodos democráticos e autoritários.

O Brasil continuaria mudando.

Mas a partir de 1822, a responsabilidade sobre seu futuro passou a ser cada vez mais brasileira.

24. O verdadeiro legado do 7 de Setembro

Talvez seja justamente por isso que o 7 de Setembro continue sendo tão importante.

Não porque tudo tenha começado magicamente naquele momento.

Mas porque aquela data representa um dos grandes momentos de uma transformação muito maior.

O Brasil decidiu que seu destino político não poderia continuar sendo determinado exclusivamente do outro lado do Atlântico.

Foi uma decisão marcada por interesses econômicos, disputas políticas, conflitos militares, contradições sociais e diferentes projetos de futuro.

Foi também uma decisão que envolveu pessoas muito diferentes:

príncipes e soldados;

comerciantes e agricultores;

intelectuais e religiosos;

militares e políticos;

homens livres e pessoas escravizadas;

habitantes das cidades e populações do interior.

A Independência foi resultado de uma sociedade inteira em transformação.

Conclusão: o Brasil nasceu antes e depois do grito

O 7 de Setembro não deve ser lembrado apenas como o dia em que Dom Pedro levantou uma espada.

Deve ser lembrado como o momento simbólico de uma transformação que vinha sendo construída havia anos.

O Brasil que existia antes de 1822 já estava mudando.

A chegada da Corte, a abertura dos portos, a transformação do Rio de Janeiro em centro político, a elevação do Brasil a Reino, a Revolução do Porto, o retorno de Dom João VI, as decisões das Cortes, o Dia do Fico e a atuação de José Bonifácio formaram uma cadeia de acontecimentos que tornou a ruptura cada vez mais provável.

Quando Dom Pedro chegou ao Ipiranga naquele 7 de setembro, não estava simplesmente iniciando a História do Brasil.

Ele estava tomando uma decisão dentro de uma História que já vinha sendo escrita.

E talvez essa seja a maneira mais interessante de compreender a Independência.

O Brasil não nasceu pronto naquele grito.

O Brasil começou a se construir naquele processo.

E continua se construindo até hoje.

O riacho do Ipiranga, que naquela época atravessava uma paisagem muito diferente da gigantesca São Paulo contemporânea, tornou-se símbolo de um país continental.

O caminho percorrido por uma pequena comitiva transformou-se em uma das rotas mais conhecidas da memória nacional.

E uma decisão tomada em uma tarde de setembro tornou-se, com o passar das gerações, uma das principais referências da identidade brasileira.

Por isso, celebrar o 7 de Setembro não precisa significar ignorar as contradições do passado.

Pelo contrário.

Conhecer profundamente a nossa História é uma das formas mais importantes de respeitar o país.

É reconhecer as conquistas sem esconder os problemas.

É compreender os personagens sem transformá-los em mitos intocáveis.

É lembrar que a Independência não foi obra de uma única pessoa.

E, principalmente, é compreender que uma nação não termina de nascer no momento em que proclama sua independência.

Ela continua nascendo todos os dias.

O Brasil de 1822 era um país em construção.

O Brasil de hoje também é.

E o significado mais profundo do 7 de Setembro talvez esteja justamente nisso:

um povo que conhece sua História possui melhores condições de decidir o seu futuro.

Precisando de ajuda com seu problema de trânsito?

Envie uma mensagem e faça uma consulta personalizada

Dr. Eduardo Dias Djamdjian de terno azul e fundo cinza

Carlos Eduardo Dias Djamdjian - OAB/SP 298.481

Advogado especialista em Direito de Trânsito e Transportes com mais de 10 anos de experiência na área, Pós Graduado em Direito de Trânsito, Presidente da Comissão de Trânsito e Transportes OAB/SP - Santana (2019-2022) e CEO do escritório DJM Advogados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

SiteLock