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Dia das Crianças em 2026: ensinar a viver, respeitar e proteger para as próximas gerações

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Uma familia feliz no carro indo viajar

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Dr. Eduardo Dias Djamdjian de terno azul e fundo cinza

Carlos Eduardo Dias Djamdjian - OAB/SP 298.481

Advogado especialista em Direito de Trânsito e Transportes com mais de 10 anos de experiência na área, Pós Graduado em Direito de Trânsito, Presidente da Comissão de Trânsito e Transportes OAB/SP - Santana (2019-2022) e CEO do escritório DJM Advogados.

Dia das Crianças em 2026: ensinar a viver, respeitar e proteger para as próximas gerações

Sumário

Uma familia feliz no carro indo viajar

Como aproveitar o Dia das Crianças para ensinar segurança no trânsito, responsabilidade, respeito à natureza e o valor do conhecimento

1. Antes de ensinar o mundo aos nossos filhos, precisamos mostrar como caminhar por ele

Ser pai e mãe é assumir uma das responsabilidades mais profundas que existem: ajudar outro ser humano a descobrir o mundo, compreender seus limites e desenvolver a capacidade de fazer escolhas. Não existe manual capaz de preparar completamente alguém para essa missão. Há dúvidas, erros, descobertas e momentos em que uma simples pergunta feita por uma criança exige de um adulto uma reflexão que ele próprio nunca havia realizado.

É justamente por isso que educar não significa apenas transmitir informações. Significa construir referências.

No dia a dia, os filhos observam muito mais do que os pais imaginam. Percebem como um adulto trata o trabalhador que presta um serviço, como reage diante de uma contrariedade, como fala com os mais velhos e como se comporta quando acredita que ninguém está olhando. A criança aprende com as orientações que recebe, mas também com as atitudes que presencia.

Essa responsabilidade ganha um significado especial em outubro, quando o Brasil celebra o Dia das Crianças. Em 12 de outubro, além das comemorações dedicadas à infância, o país também celebra Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, em um feriado nacional instituído pela Lei nº 6.802/1980. É uma oportunidade para reunir a família, visitar lugares diferentes, viajar e, sobretudo, dedicar tempo à formação daqueles que continuarão a história depois de nós.

Mas existe uma pergunta que merece acompanhar os preparativos para esse feriado: além dos presentes e das fotografias, o que estamos oferecendo às nossas crianças para que elas se tornem adultos melhores?

Uma viagem em família pode ser muito mais do que um deslocamento entre dois lugares. Pode ensinar planejamento, paciência, respeito às regras, cuidado com a natureza e atenção às pessoas que dividem conosco os espaços públicos. Até mesmo uma caminhada pelo bairro pode se transformar em uma aula sobre cidadania.

O Direito de Trânsito entra nessa conversa porque a segurança nas ruas e nas estradas não depende somente de placas, multas e fiscalização. Depende também da consciência individual e coletiva. As leis estabelecem deveres, mas é a educação que ajuda a transformar esses deveres em hábitos.

Quando um pai coloca corretamente o filho na cadeirinha, quando uma mãe espera o sinal adequado para atravessar a rua ou quando ambos respeitam o limite de velocidade mesmo sem a presença de um agente de trânsito, estão transmitindo uma mensagem poderosa: a vida de outras pessoas importa.

E essa talvez seja uma das primeiras lições de cidadania que uma criança possa aprender.

2. Direito de Trânsito: proteger uma criança é uma obrigação, não uma escolha

Antes de pensar nos passeios do feriado, é importante lembrar que a responsabilidade dos pais começa na prevenção.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), instituído pela Lei nº 9.503/1997, estabelece regras para proteger condutores, passageiros e pedestres. Entre elas estão as disposições específicas para o transporte de crianças, o uso do cinto de segurança e a condução responsável de veículos.

O artigo 64 do CTB estabelece regras para o transporte de crianças nos bancos traseiros, observadas as exceções regulamentadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Já o artigo 168 prevê infração gravíssima para quem transporta crianças sem observar as normas especiais de segurança, com multa e retenção do veículo até que a irregularidade seja corrigida. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm

Na prática, isso significa que não basta colocar a criança dentro do automóvel e iniciar a viagem. É necessário verificar se ela está sendo transportada de acordo com sua idade, altura, peso e com o dispositivo de retenção adequado às normas vigentes.

Bebês e crianças pequenas precisam de dispositivos apropriados, como bebê-conforto, cadeirinha ou assento de elevação, conforme o caso. A escolha deve respeitar a regulamentação aplicável e as instruções do fabricante. O cinto de segurança também precisa estar corretamente ajustado ao corpo da criança.

Um erro comum é acreditar que um trajeto curto dispensa esses cuidados. A viagem até a padaria, a casa dos avós ou o parque continua envolvendo riscos. Um acidente não depende de a família estar longe de casa para acontecer.

Outro equívoco é imaginar que segurar a criança no colo oferece proteção suficiente. Em uma colisão, a força envolvida pode impedir que um adulto consiga mantê-la nos braços. O colo transmite afeto; não substitui um equipamento de segurança.

Também é importante evitar que crianças viajem soltas no banco traseiro, usem o cinto de maneira inadequada ou sejam transportadas no colo de outro passageiro. Todos os ocupantes devem utilizar os sistemas de segurança correspondentes.

E o cuidado não termina quando o automóvel está estacionado.

Ao atravessar uma rua, os adultos devem dar o exemplo, utilizar locais apropriados, respeitar a sinalização e ensinar as crianças a observar o movimento dos veículos. Em estacionamentos, garagens e áreas de circulação, é fundamental mantê-las próximas e atentas aos riscos.

Uma criança pode compreender que um carro precisa parar no sinal vermelho muito antes de entender todas as regras do trânsito. O importante é que essa compreensão seja construída com explicações simples, repetição e coerência.

Imagine uma situação comum: o pai está atrasado para um compromisso, aproxima-se de uma faixa de pedestres e percebe que não há veículos aparentemente próximos. Ele decide atravessar fora do local indicado, enquanto o filho o acompanha.

Talvez nada aconteça naquele momento. Porém, a criança pode aprender que as regras são opcionais quando alguém está com pressa.

Agora imagine outra situação: o mesmo pai explica que, mesmo atrasados, precisam atravessar com segurança. Ele espera, observa o trânsito e conduz o filho pelo local apropriado.

A diferença entre as duas atitudes não está apenas na possibilidade de evitar um acidente. Está na formação de um hábito que pode acompanhar aquela criança durante décadas.

A educação para o trânsito começa antes da primeira aula de direção. Começa quando a criança aprende que suas escolhas afetam a vida de outras pessoas.

3. O feriado de 12 de outubro: viajar com os filhos também é educar

O feriado pode ser uma excelente oportunidade para conhecer uma cidade próxima, visitar os avós, caminhar em um parque, conhecer um museu ou simplesmente passar algumas horas longe da rotina.

Não é necessário gastar muito dinheiro para proporcionar uma experiência significativa. Para uma criança, descobrir um lugar novo ao lado de alguém em quem confia pode ser tão marcante quanto receber um presente caro.

Se a família pretende viajar de carro, alguns cuidados merecem atenção antes da partida.

O veículo deve estar em condições adequadas de funcionamento, com pneus, freios, iluminação e demais itens importantes verificados. O motorista precisa estar descansado, utilizar o cinto de segurança e respeitar os limites de velocidade. Álcool e direção são incompatíveis, e o celular não deve desviar a atenção de quem conduz.

O planejamento também deve considerar o tempo de deslocamento, as condições da estrada, os pontos de parada e as necessidades das crianças. Longos períodos no automóvel podem provocar desconforto, irritação e cansaço. Pausas planejadas ajudam a tornar a viagem mais segura e agradável.

Mas por que não transformar esses preparativos em uma experiência educativa?

Os pais podem convidar os filhos a participar da organização. Crianças maiores podem ajudar a conferir os itens necessários, escolher um livro para levar, pesquisar curiosidades sobre o destino ou localizar o percurso em um mapa.

Durante a viagem, os adultos podem explicar o significado das placas, mostrar a importância das faixas de pedestres e conversar sobre o trabalho de profissionais que mantêm as estradas, prestam socorro e transportam mercadorias.

O objetivo não é distrair o motorista com explicações enquanto dirige. É aproveitar os momentos adequados para transformar o passeio em aprendizado.

Ao chegar ao destino, a família pode observar a paisagem, conhecer a história local e refletir sobre a preservação dos espaços públicos.

Uma praça limpa não permanece assim por acaso. Uma estrada segura não depende apenas de sua construção. Uma cidade acolhedora exige planejamento, manutenção, respeito e participação da população.

A criança que aprende a valorizar esses aspectos começa a compreender que viver em sociedade significa cuidar de algo que pertence a todos.

E, se durante o passeio surgir um imprevisto, os adultos terão outra oportunidade de ensinar. Um congestionamento pode ser motivo de irritação, mas também pode servir para demonstrar paciência. Uma mudança de planos pode gerar frustração, mas também pode mostrar como lidar com situações que não estão sob nosso controle.

A forma como os pais enfrentam dificuldades ensina aos filhos como enfrentarão as próprias dificuldades no futuro.

4. Respeito: a primeira regra de convivência de uma sociedade civilizada

Uma das tarefas mais importantes da paternidade e da maternidade é ensinar que nenhuma pessoa deve ser tratada como inferior por causa de sua profissão, idade, condição econômica ou aparência.

No trânsito, essa lição aparece de diversas maneiras.

O motorista que fecha outro veículo porque acredita estar com mais pressa, o motociclista que desrespeita a passagem de pedestres, o ciclista que ignora as regras de circulação e o pedestre que atravessa sem observar o movimento podem colocar outras pessoas em risco.

A responsabilidade não pertence exclusivamente a uma categoria. Cada participante do trânsito possui deveres compatíveis com sua posição e com as normas aplicáveis.

Por isso, ensinar respeito exige abandonar a ideia de que o espaço público é uma competição em que vence quem consegue impor a própria vontade.

Uma criança precisa entender que o pedestre tem direito à segurança, que o ciclista merece espaço adequado para circular e que os profissionais que trabalham nas ruas e estradas também são seres humanos sujeitos ao cansaço, às dificuldades e aos riscos da atividade.

O respeito não significa concordar com tudo. Significa reconhecer a dignidade alheia mesmo quando existem diferenças ou conflitos.

Essa compreensão também se estende à relação com professores, familiares, trabalhadores do comércio, profissionais da limpeza urbana, agentes públicos e pessoas desconhecidas.

É possível ensinar tudo isso sem transformar a educação em uma sequência de discursos. Basta aproveitar as situações cotidianas.

Ao encontrar um trabalhador recolhendo resíduos em uma praça, os pais podem explicar por que aquele serviço é importante. Ao observar uma pessoa com mobilidade reduzida tentando atravessar a rua, podem conversar sobre acessibilidade. Ao presenciar um conflito, podem demonstrar que discordar não autoriza humilhar ou agredir.

O exemplo é especialmente importante porque as crianças percebem contradições. Não adianta exigir educação dos filhos e tratar com desprezo alguém que presta um serviço. Não adianta falar sobre honestidade e justificar uma pequena infração como se ela não tivesse importância.

A formação ética depende da coerência entre o que se ensina e o que se pratica.

Isso não significa que os pais precisem ser perfeitos. Significa que devem reconhecer os próprios erros, pedir desculpas quando necessário e mostrar que amadurecer envolve corrigir comportamentos.

Um adulto que admite ter agido mal oferece à criança uma lição valiosa: responsabilidade não é nunca errar, mas compreender as consequências das próprias escolhas e procurar fazer melhor.

5. Sustentabilidade: ensinar a cuidar do lugar onde viveremos amanhã

O amor pelos filhos também pode ser entendido como um compromisso com o mundo que eles encontrarão quando crescerem.

Não basta desejar que uma criança tenha uma vida longa e feliz se ignorarmos as condições ambientais e sociais que influenciam o futuro dela. A qualidade do ar, a disponibilidade de água, a preservação das áreas verdes e a organização das cidades interferem diretamente na qualidade de vida das próximas gerações.

A sustentabilidade começa em atitudes que parecem pequenas.

Durante um passeio, os pais podem mostrar por que não devemos jogar lixo nas ruas, nas praias ou nos parques. Podem explicar a importância de economizar água, evitar desperdícios e preservar animais e plantas. Podem ensinar que espaços públicos não são lugares sem dono: são espaços compartilhados, cuja conservação depende de todos.

O trânsito também faz parte dessa discussão.

O planejamento urbano, o transporte coletivo, a segurança dos pedestres e a infraestrutura para bicicletas influenciam a maneira como as pessoas se deslocam e utilizam as cidades. Incentivar caminhadas em locais seguros, utilizar o transporte público quando conveniente e evitar deslocamentos desnecessários são exemplos de escolhas que podem contribuir para uma mobilidade mais sustentável.

Não se trata de transformar cada decisão familiar em uma obrigação ambiental impossível de cumprir. Trata-se de ensinar que nossas escolhas possuem consequências e que pequenas mudanças, quando adotadas por muitas pessoas, podem fazer diferença.

Uma atividade interessante para o feriado é visitar um parque ou uma área natural e propor às crianças uma observação guiada: quais animais vivem ali? De onde vem a água? Por que existem árvores em diferentes tamanhos? O que aconteceria se todos deixassem resíduos no local?

Essas perguntas despertam curiosidade e ajudam a construir uma relação mais responsável com o ambiente.

Os pais também podem incentivar a participação dos filhos em ações de cuidado com a comunidade, como separar materiais recicláveis, manter limpo o espaço de convivência e respeitar as áreas destinadas à preservação.

O objetivo não é produzir uma criança que apenas repita frases sobre o meio ambiente. É formar alguém capaz de compreender relações de causa e consequência.

Uma geração consciente não nasce apenas de campanhas publicitárias ou de discursos políticos. Ela se forma quando o cuidado deixa de ser uma palavra e passa a orientar as decisões cotidianas.

6. Histórias, conhecimento e as mentes que transformaram o mundo

A humanidade avançou porque homens e mulheres observaram a realidade, fizeram perguntas, registraram descobertas e transmitiram conhecimento para aqueles que vieram depois.

A história da ciência, da filosofia, da literatura e das artes está repleta de pessoas que desafiaram explicações estabelecidas, imaginaram possibilidades e buscaram compreender melhor o mundo.

Ao apresentar essas histórias aos filhos, os pais não precisam exigir que eles se tornem gênios, cientistas ou grandes escritores. O mais importante é mostrar que o conhecimento pode ampliar a liberdade de pensamento e a capacidade de compreender problemas.

Podemos contar a história de Marie Curie e conversar sobre persistência e investigação científica. Podemos apresentar as ideias de Leonardo da Vinci e mostrar como arte, observação e curiosidade podem caminhar juntas. Podemos falar de Santos Dumont e explorar a história da aviação brasileira, explicando como experiências, tentativas e conhecimentos acumulados contribuíram para o desenvolvimento da tecnologia.

Também podemos apresentar Machado de Assis, Carolina Maria de Jesus, Milton Santos e tantos outros brasileiros que ajudaram a compreender a sociedade por meio da literatura, da reflexão e da observação da realidade.

O importante é evitar que essas histórias sejam apresentadas como narrativas de pessoas infalíveis. Grandes realizações também envolvem dificuldades, limitações, erros e contextos históricos que precisam ser compreendidos.

A criança deve aprender que admirar alguém não significa deixar de fazer perguntas. Respeitar uma ideia não significa aceitá-la sem reflexão. E conhecer o passado não significa acreditar que tudo o que foi feito antigamente deve continuar sendo feito da mesma maneira.

É assim que se desenvolve o pensamento crítico.

Uma atividade simples para o Dia das Crianças pode ser escolher um personagem histórico e pesquisar sua trajetória em família. Depois, cada pessoa pode responder a três perguntas: qual foi sua contribuição? Quais dificuldades enfrentou? O que podemos aprender com sua história hoje?

O exercício ensina a pesquisar, comparar informações e distinguir fatos de opiniões.

Os livros também merecem espaço nessa formação. Ler para uma criança, mesmo quando ela ainda não consegue acompanhar sozinha todas as palavras, fortalece vínculos afetivos e estimula o desenvolvimento da linguagem e da imaginação.

Contar histórias não é apenas uma forma de entretenimento. É uma maneira de transmitir valores, apresentar diferentes realidades e ajudar os pequenos a compreender sentimentos que ainda não sabem nomear.

E não precisamos limitar o conhecimento às páginas impressas. Museus, bibliotecas, centros culturais, parques, conversas com os avós e observações da natureza podem despertar perguntas tão importantes quanto uma aula formal.

Educar é ensinar a criança a encontrar respostas, mas também a formular boas perguntas.

7. A educação dos filhos começa na relação que construímos com eles

Em meio às responsabilidades financeiras, profissionais e domésticas, muitos pais enfrentam uma dificuldade real: encontrar tempo de qualidade para estar com os filhos.

Nem sempre é possível organizar grandes passeios ou reservar dias inteiros para atividades em família. A rotina pode ser exigente, e cada núcleo familiar possui suas próprias condições.

Por isso, é importante não confundir presença afetiva com consumo.

Presentes podem demonstrar carinho, mas não substituem o diálogo, a escuta e a convivência. Uma criança precisa de cuidado material, mas também necessita de adultos que prestem atenção às suas dúvidas, reconheçam seus sentimentos e estabeleçam limites claros.

Durante o feriado, uma refeição compartilhada sem distrações constantes, uma caminhada, uma brincadeira ou uma conversa antes de dormir podem oferecer oportunidades para fortalecer esses vínculos.

É possível perguntar aos filhos o que eles gostariam de aprender, o que os deixou felizes durante a semana ou qual situação consideraram injusta. As respostas podem surpreender os adultos e abrir caminhos para conversas importantes.

Também é fundamental compreender que educar não significa controlar cada pensamento ou impedir toda frustração. Crianças precisam de orientação, proteção e limites, mas também de oportunidades adequadas à idade para experimentar, fazer escolhas e desenvolver autonomia.

Quando uma criança quebra um objeto, por exemplo, a situação pode ser usada para conversar sobre cuidado e responsabilidade. Quando perde em um jogo, pode aprender a lidar com a frustração. Quando machuca alguém com palavras, precisa compreender o impacto de sua atitude e aprender formas de reparar o dano.

O castigo humilhante ou a ameaça não substituem uma educação consistente. A disciplina deve ajudar a criança a compreender limites e consequências, e não apenas a obedecer por medo.

Pais e mães também precisam aceitar que os filhos podem desenvolver opiniões, interesses e habilidades diferentes daqueles que imaginaram. A missão não é criar uma cópia de si mesmos, mas orientar um ser humano para que desenvolva sua própria personalidade com responsabilidade e respeito.

O mesmo vale para a tecnologia. Em vez de simplesmente tratar toda novidade como inimiga, os adultos podem estabelecer limites de uso, acompanhar os conteúdos acessados e estimular atividades que desenvolvam criatividade, leitura, movimento e convivência presencial.

O objetivo é ajudar a criança a utilizar ferramentas sem se tornar inteiramente dependente delas.

8. O Direito, a família e a responsabilidade de proteger a infância

A proteção da criança não depende exclusivamente da boa vontade de cada família. Ela também é um dever jurídico e social.

A Constituição Federal, em seu artigo 227, estabelece que família, sociedade e Estado devem assegurar, com absoluta prioridade, direitos como vida, saúde, alimentação, educação, dignidade, respeito, liberdade e convivência familiar e comunitária, protegendo crianças e adolescentes contra negligência, discriminação, exploração, violência e opressão.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) desenvolve essa proteção e reconhece crianças e adolescentes como pessoas em condição peculiar de desenvolvimento, titulares de direitos que devem ser respeitados.

Essas normas não são apenas textos jurídicos. Elas expressam uma ideia fundamental: a infância exige proteção especial porque crianças ainda estão desenvolvendo capacidades físicas, emocionais, intelectuais e sociais.

No contexto do trânsito, isso significa que a segurança infantil não pode ser tratada como detalhe ou conveniência. O transporte adequado, a supervisão dos adultos e a educação para a circulação segura são partes concretas do dever de cuidado.

Em outras situações, a responsabilidade envolve garantir acesso à educação, proteger a integridade física e emocional, respeitar a dignidade da criança e buscar ajuda quando houver ameaça ou violação de direitos.

A paternidade e a maternidade responsáveis não se resumem ao vínculo biológico. Envolvem compromisso contínuo com a proteção, o desenvolvimento e a formação dos filhos, dentro das possibilidades e responsabilidades estabelecidas pela lei.

É importante lembrar, ainda, que nem todas as crianças vivem em famílias com as mesmas condições econômicas, redes de apoio ou oportunidades. Por isso, a defesa da infância também exige políticas públicas, escolas acessíveis, espaços seguros de lazer, mobilidade adequada e comunidades capazes de acolher e proteger.

Uma sociedade que deseja crianças seguras precisa cuidar dos caminhos por onde elas passam, das escolas onde aprendem e dos espaços em que brincam.

O Direito de Trânsito, o Direito de Família, o Direito da Criança e do Adolescente e as políticas de proteção social se encontram nesse objetivo: garantir condições para que o desenvolvimento infantil aconteça com dignidade e segurança.

9. Um roteiro simples para transformar o feriado em aprendizado

Para famílias que desejam aproveitar o dia 12 de outubro de maneira especial, não é necessário elaborar uma programação complexa. Uma sequência de atividades simples pode reunir lazer, segurança, cultura e responsabilidade.

Antes de sair: envolva as crianças na preparação do passeio. Explique por que o veículo precisa estar em condições adequadas, por que todos devem utilizar o cinto e por que a cadeirinha precisa ser escolhida corretamente.

Durante o deslocamento: demonstre paciência e respeito. Evite o uso do celular ao volante, não ultrapasse os limites de velocidade e explique, em momentos seguros, como funcionam algumas regras de circulação.

No destino: escolha uma atividade que estimule a curiosidade. Pode ser um parque, uma biblioteca, um museu, uma praça histórica ou uma caminhada em um local apropriado.

Ao longo do passeio: converse sobre preservação ambiental, respeito aos trabalhadores e cuidado com o espaço coletivo. Permita que as crianças façam perguntas e expressem suas observações.

No final do dia: reserve alguns minutos para recordar a experiência. Pergunte o que aprenderam, o que mais gostaram e o que fariam de maneira diferente na próxima vez.

Esse último momento ajuda a transformar a experiência em memória e aprendizado.

O propósito não é fazer de cada feriado uma aula formal, mas demonstrar que aprender também pode ser prazeroso. Quando o conhecimento está associado à descoberta, à convivência e ao afeto, a criança encontra mais oportunidades para desenvolver interesse pelo mundo.

10. Conclusão: o futuro começa nas atitudes que repetimos hoje

O Dia das Crianças costuma ser associado a brinquedos, presentes e momentos de alegria. Tudo isso pode fazer parte da comemoração. Mas a data também oferece uma oportunidade para refletirmos sobre o que significa cuidar de uma nova geração.

Cuidar é proteger uma criança no banco traseiro de um automóvel. É respeitar a faixa de pedestres. É ensinar que nenhuma pessoa deve ser humilhada por sua profissão ou condição social. É recolher o próprio lixo, preservar uma árvore, abrir um livro e demonstrar que uma dúvida pode ser o início de uma grande descoberta.

Cuidar também é reconhecer que os filhos não herdarão apenas nossos bens materiais. Herdarão, em alguma medida, nossos hábitos, nossas referências e a maneira como nos relacionamos com as outras pessoas.

A história mostra que grandes transformações exigem conhecimento, coragem, criatividade e cooperação. Nenhuma geração começa inteiramente do zero: cada uma recebe uma herança de experiências, erros, descobertas e valores que pode preservar, questionar ou aperfeiçoar.

Por isso, não precisamos esperar que nossos filhos cresçam para começar a falar sobre responsabilidade. A formação de cidadãos conscientes acontece todos os dias, nas escolhas mais simples e nos exemplos que oferecemos.

Neste 12 de outubro, talvez o melhor presente seja dedicar tempo aos pequenos, ouvir suas perguntas, contar histórias, conhecer um lugar novo e mostrar que o mundo é maior do que a tela de um celular ou os limites de uma rotina.

E, se a família decidir pegar a estrada, que a viagem seja planejada com segurança, respeito e consciência. Que cada parada ofereça uma oportunidade de descobrir algo novo. Que cada regra respeitada seja também uma demonstração de cuidado com a vida.

Afinal, ensinar uma criança a atravessar a rua com segurança é importante. Ensinar por que a vida de cada pessoa merece respeito é ainda mais profundo.

O maior legado dos pais não é determinar o caminho que os filhos deverão seguir. É ajudá-los a desenvolver conhecimento, caráter e responsabilidade para que possam escolher seus próprios caminhos sem esquecer o valor da vida, da dignidade humana e do mundo que compartilhamos.

Neste Dia das Crianças, que o passeio seja agradável, a viagem seja segura e o aprendizado continue muito depois de o feriado terminar.

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Dr. Eduardo Dias Djamdjian de terno azul e fundo cinza

Carlos Eduardo Dias Djamdjian - OAB/SP 298.481

Advogado especialista em Direito de Trânsito e Transportes com mais de 10 anos de experiência na área, Pós Graduado em Direito de Trânsito, Presidente da Comissão de Trânsito e Transportes OAB/SP - Santana (2019-2022) e CEO do escritório DJM Advogados.

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